Por Cibele Laurentino

A escritora Anabela Vaz lança O que desejas ser, depois da meia-noite?, uma obra que atravessa as fronteiras do íntimo e convida o leitor a encarar a própria vida como um ciclo infinito de nascimentos, mortes e renascimentos. A partir de uma escrita profundamente sensorial e imagética, o livro revela que “vivemos mil vidas numa só”, e que, nos períodos mais áridos da existência, é onde brotam as versões mais autênticas e iluminadas de nós mesmos.
Com um lirismo que mistura dor e transcendência, Anabela escreve sobre partos simbólicos aqueles em que nos desfazemos em fragmentos para, enfim, emergirmos mais cristalinos. No cerne da obra está a celebração das metamorfoses humanas, da vulnerabilidade como portal para a força e da espiritualidade cotidiana que insiste em brilhar, mesmo entre estilhaços. “Permitam-se atravessar os desertos áridos da saudade e do desassossego só assim alcançarão o vosso oásis”, provoca a autora nas entrelinhas de sua narrativa poética.
O livro, marcado por um tom íntimo e reflexivo, acende um manifesto sensível: é preciso deixar as emoções fluírem sem anestesia, reencontrar a essência e caminhar rumo aos próprios sonhos com ousadia e coragem. No pulsar dessas páginas, a mensagem é clara: a vida é magistral e exige protagonismo.
Da banca ao universo literário: a trajetória de uma mulher feita de recomeços
Antes de se tornar escritora em tempo integral, Anabela Vaz construiu uma carreira sólida de 21 anos no universo bancário o mundo dos números. Em 2020, num movimento ousado de reinvenção, a autora ergue as âncoras, deixa a segurança da rotina corporativa e abraça a escrita como destino. Desde então, transforma palavras em voo e literatura em travessia pessoal.

Sua estreia literária aconteceu em 2006 com o romance Neblina. Em 2021, inspirada pela chegada da neta, publicou Benedita, a fada. No ano seguinte, em meio à turbulência do mundo, lançou O mundo precisa de fadas, reafirmando sua fé na potência do imaginário. Agora, em 2023, retorna ao mergulho autobiográfico e filosófico com O que desejas ser, depois da meia-noite? obra que consolida sua voz como uma das mais sensíveis narradoras dos ciclos humanos.
Um livro para quem busca luz nas próprias fendas
Poético, confessional e ontológico, O que desejas ser, depois da meia-noite? é um convite para quem deseja:
- ressignificar suas rupturas,
- abraçar suas reinvenções,
- acolher a dor como passagem e não morada,
- reencontrar o brilho que insiste em existir até nos instantes mais escuros.
A obra reafirma a crença de Anabela Vaz no poder transformador da escrita: um território onde dor vira pontes, silêncio vira desvelamento e palavras tornam-se asas.
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